Apesar de sermos um país banhado pelo Oceano Atlântico e com abundância de mares e rios no interior, o preço do pescado está muito alto e quase inacessível para a maioria das pessoas.
O site “Notícias de África”, designado LNA, sigla em francês, saiu hoje, dia 4 de agosto, às ruas de Bissau para auscultar retalhistas, consumidores, utentes, a Associação dos Pescadores Artesanais e intermediários, a fim de analisar a situação da venda de produtos do mar nos mercados do país, cujos preços estão muito elevados.
O Notícias de África sabe que, recentemente, a Associação dos Pescadores Artesanais, em Assembleia Geral, decidiu voluntariamente, no mês passado, baixar drasticamente o preço do peixe, de forma a permitir que os guineenses adquiram peixe de qualidade para consumo.
Mas, na realidade, nos mercados do país ainda vigoram os preços antigos e muito altos.
Ou seja, a redução de preços anunciada pelos pescadores, com a respetiva tabela, não se reflete na compra do pescado.
Neste contexto, a Associação de Consumidores está triste e revoltada com esta subida do preço do pescado no país.
“Os peixes de qualidade, como a bica, que na nova tabela custa três mil francos CFA, chegam aos mercados a ser vendidos três vezes mais na capital”, acusam alguns consumidores contactados pela LNA. “Por não haver fiscalização, os intermediários inflacionam esse preço três a quatro vezes”.
O presidente da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços, Bambo Sanhá, afirmou em entrevista ao site LNA, hoje, dia 4 de agosto, que as autoridades do país, sobretudo os ministérios da Pesca e do Comércio, devem fiscalizar passo a passo o cumprimento integral da nova tabela de preços do peixe, em benefício das populações. Bambo Sanhá sublinhou ainda, nessa entrevista exclusiva à LNA, via telefone, que não basta o Governo anunciar ou publicar novos tarifários do pescado.
“É fundamental acompanhar de perto a sua aplicação”, disse. E acrescentou que o preço do peixe continua inacessível para a maioria da população do país.
Os pescadores artesanais, apesar de terem baixado o preço, dizem que os intermediários — referem-se às vendedeiras — continuam a não respeitar os novos preços.
“Os consumidores não sentem a diferença, tudo porque os intermediários que compram a grosso junto aos pescadores e levam aos diferentes mercados para revender continuam a transacionar o peixe a preços exorbitantes”, disse o presidente da Associação de Pescadores Artesanais, Abdoulaye Lenn, de nacionalidade senegalesa, a viver e trabalhar na Guiné-Bissau há décadas, à semelhança de muitos outros.
Abdoulaye Lenn apela aos órgãos de comunicação social do país para divulgarem massivamente a nova tabela de preços junto dos consumidores.
“Se as pessoas não tiverem conhecimento da baixa de preço, não poderão exigir”, afirmou o presidente da Associação dos Pescadores Artesanais.
Por outro lado, Famata Turé, intermediária, explicou que, se respeitarem essa nova tabela, não vão ganhar absolutamente nada.
“Compramos um cartão de 10 quilos de peixe por 22 mil francos CFA no porto. Pagamos transporte para os mercados e, em cada dia, pagamos senhas ao mercado para a Câmara Municipal de Bissau, no valor de mil francos CFA. Arcamos ainda com o custo de conservação em frigoríficos dentro do mercado. Como você vê, a margem de lucro é ínfima. Se não fizermos ginástica, não poderemos recuperar o dinheiro que gastamos na aquisição. Se o governo quisesse que nós baixássemos o preço, deveria abdicar da cobrança de senhas todos os dias”, enfatizou.
Mariama Djaló, no mercado do Bairro Militar, junto a uma vendedeira de peixe, foi confrontada com a nova tabela de preços do pescado, com os valores baixados, pelos membros da Associação de Consumidores, e ficou muito surpreendida. Ela disse que não sabia nada disso, da baixa do preço do peixe, até agora.
“Aqui compramos peixe a preço muito alto”, explicou, sem dar mais detalhes.






