O país celebra hoje, 3 de Agosto de 1959. Nessa data a nação guineense inclina-se, todos os anos, para honrar a memória dos marinheiros vilmente assassinados pelos “tugas” portugueses.
De 3 de Agosto de 1959 a 3 de Agosto de 2026, passaram-se 66 anos da repressão bárbara dos colonialistas portugueses contra os marinheiros e estivadores indefesos. Esse dia faz-nos lembrar, enquanto guineenses, os tiros de armas automáticas contra os marinheiros e estivadores.
Os colonialistas portugueses, sem dó nem piedade, dispararam mortalmente contra marinheiros que apenas exigiam aumento salarial e melhores condições de trabalho. Os marinheiros e estivadores ganhavam salário que dava apenas para comprar um saco de arroz de 50 quilos e sobrava apenas para comprar cinco litros de óleo de palma.
O ordenado dos marinheiros não passava os 50 escudos ( equivalente hoje em dia a 25 cêntimos do euro, ou seja 200 francos cfa ) e os estivadores ganhavam, cada um, 30 escudos, mais ou menos 250 francos cfa).
Como se viu, os salários eram baixíssimos e os marinheiros e estivadores que levam mercadorias aos diferentes portos do país : Cacheu (norte), Bafatá, Bambadinca, Xitole (leste do país) e Cacine, Bolama, Catio, Buba, São João do porto, Enchude, Tite e Empada no sul do país.
Os marinheiros e estivadores trabalhavam dia e noite e os patrões exploradores portugueses recusaram lhes aumentar os salários.
Por isso mesmo, o Secretário-Geral da União Nacional dos Trabalhadores Guineenses, UNTG, Laureano da Costa Pereira, enfatizou que recordar Pindjiguiti é honrar a vibrante consciência de classe dos marinheiros e estivadores das Casas comerciais tugas: Gouveia, a casa do descendente da Síria, Ali Suleimane, Ultramarina, Marcos, Picoli e Pinto.
Para Laureano da Costa Pereira, comemorar essa data é, acima de tudo, celebrar o momento em que o sangue derramado dos marinheiros e estivadores despertou a consciência nacionalista de todo um povo.
“Durante cerca de 40 minutos de tiros intensos, a queima-roupa, perpetrados pelas forças coloniais portuguesas e pela Polícia Internacional de Defesa do Estado, PIDE, chamados pelo gerente da Casa Gouveia, mais de 50 marinheiros tombaram mortalmente e cerca de 100 trabalhadores foram atingidos, com ferimentos ligeiros e graves.”
Segundo o Secretário-Geral da UNTG, algumas fontes falam em até 70 mortos. Este massacre brutal transformou uma justa revolta económica no motor imparável da nossa autodeterminação.
Laureano da Costa Pereira, ladeado pelo seu staff, afirmou, nessa cerimónia realizada para o efeito, que esse dia lembra-nos que assumir a nossa história não é apenas um dever: é a única forma de não nos perdermos no futuro, sabendo que cada passo que damos hoje em dia foi firmemente pavimentado pela luta e pelo sangue dos nossos antepassados
Manter viva esta chama é manter aceso o farol que ilumina o caminho que o espírito da revolta contra o colonialismo português nos apontava para a construção contínua da nossa identidade
Glória eterna aos heróis de 3 de Agosto!
Para finalizar, Laureano citou um provérbio popular para afirmar que não há glória sem memória, nem memória sem honra.
Nessa longínqua data, um marinheiro destemido pegou na sua canoa e salvou muitos dos seus colegas para o Alto Bandim.
Tratou-se do marinheiro Ocante da Silva, natural de Pexixe, setor de Caió, Região de Cacheu que debaixo dos tiros pegou a sua canoa e começou a transportar feridos para outro lugar mais seguro.
Nesse mesmo dia, a esposa de Ocante da Silva deu à luz uma menina que viria a ter o nome de Alda Ocante da Silva, atual funcionária da gráfica estatal, INACEP Imprensa Nacional.







