As hortas de caju não produziram um único caju provocando assim uma situação bastante difícil para a sobrevivência dos agricultores e suas famílias que dependem muito do rendimento dessas hortas de caju.
Recorde-se que foi António José Eanes na qualidade de ministro da marinha portuguesa e do ultramar que outorgou concessões de terrenos aos empresários franceses, alemães e portugueses, em 1910, sensivelmente há 126 anos para produzirem fundamentalmente, em Bolama, capital da província, na altura, amendoim, borracha e caju, principais produtos de exportação nessa época.
Nessa altura havia numerosas comunidades francesas, holandesas, alemães e os próprios colonos portugueses, cabo-verdianos em Bolama. As populações autóctones viviam a volta da cidade, nos subúrbios.
Recorde-se que Bolama foi capital da Guiné portuguesa entre 18 de março de 1879 e 29 abril de1941. A partir de 1941 a capital da Guiné portuguesa foi transferida para Bissau onde se encontra até hoje.
Pouco antes da sua transferência para Bissau a administração colonial fez uma vasta campanha de produção de caju a volta da ilha Bolama.
Por isso mesmo, Bolama foi a zona do país que teve primeiros pomares de cajueiros, há mais de um século.
Segundo os agricultores contatados, em Bolama, pelo Bissau magazine, via telefone, as causas dessa má produção vão desde o alongamento da idade dos cajueiros, 126 anos, a falta de tratamento regular sobretudo, o podar dos cajueiros antes da floração, cada ano, alterações climáticas nos últimos anos e possivelmente a existência d e pragas que destroem a floração nos meses de dezembro e janeiro.
Sana Djabula, professor do ensino primário, já reformado, na casa de sessenta e oito anos, casado pelos usos e costume e pai de seis filhos, afirmou, via telefone, que costumava colher três a quatro toneladas de castanhas de caju naquela extensa área de cajueiros que os colonialistas portugueses plantaram e agora gerida pelo ministério da agricultura. A regra é ainda o que era:
Os agricultores, em Bolama, apanham as castanhas de caju dois dias para si e um dia para o Estado, neste caso, o ministério da Agricultura e desenvolvimento rural.

“ Este ano não consegui sequer um quilo de castanha de caju”, disse mostrando o recipiente vazio assegurado pelas mãos.
Excelente produção de castanha de caju no lesto do país
Enquanto em Bolama a produção de castanha de caju foi deplorável, na zona leste do país, em Pirada, a um quilometro de Senegal os agricultores estão bastante satisfeitos com a boa produção de castanha de caju e o preço fixado pelo Governo de 500 francos cfa para cada quilo. A produção de cajus, na província leste (regiões de Bafatá e Gabu) começou nos anos 1990 e 2000, portanto vinte a trinta anos. Os cajueiros são novos e este ano produziram bastante.
Idriça Só disse, via telefone, a partir de pirada, que habitualmente conseguia colher entre 100 a 150 quilos e este ano apanhou três toneladas de castanhas de caju.
Idriça agradecendo a deus pela ótima produção desde ano afirmou que não vai lavrar por basta trocar uma tonelada de castanha de caju em arroz para ter o comer durante um ano.
“ Boa vida disse soltando gargalhadas, para depois dizer que está ali a divertir-me calmamente, bebendo chá, vulgarmente conhecido na Guiné por warga que é servido a três ou quatro pessoas, em perfeito repouso.
Lembre-se que o Governo de Transição, liderado por Ilídio Vieira Té, fixou este ano o preço base de 500 francos cfa a cada quilo de castanha junto dos produtores o que melhorou bastante a vida dos produtores de castanha de caju, o ouro da Guiné Bissau.
Produção ultrapassa as expetativas
Por outro lado, o Diretor Geral do Ministério do Comércio, Lassa Fati, informou, igualmente via telefone, a Bissau magazine que a produção de castanha de caju ultrapassou este ano todas as expetativas. “ Os primeiros cálculos do Governo eram de 200 mil toneladas de castanhas de caju para exportação em 2026, e já se conseguiu cerca de 230 mil toneladas de castanhas de caju”, explicou.
O Diretor Geral do Comércio disse que até hoje, 25.06.2026, o Governo já exportou cerca de 50 mil toneladas de castanhas, tendo acrescentado que há 157 mil toneladas estocadas nos armazéns em Bissau prontos para a exportação nos próximos dias para Índia o que totaliza 207 mil toneladas de castanhas de caju.
Há, ainda, 20 mil toneladas de castanhas de caju que se encontram no interior do país e que devem ser encaminhadas para Bissau para exportação.
“ Para Lassana Fati, o país conta aproximadamente com 130 mil toneladas de castanhas de caju para este ano o que ultrapassa de longe as primeiras previsões de 200 mil toneladas de castanhas de caju.
Com a produção de 200 mil toneladas de castanhas de caju, o Governo vai amealhar por via das Alfandegas mais de 22 bilhões de francos cfa. Isso sem contar ainda com outras receitas que o Governo atrás do Porto, Finanças e outras entidades vão cobrar para cada tonelada de castanha de caju exportada








